Democratas querem vetar verba para brasileiros acusados de corrupção

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A administração Trump liberou US$ 64 milhões de verba na compra de carne suína processada pela JBS USA, subsidiária da JBS SA

Os legisladores criticaram o USDA por comprar carne suína processada pela JBS USA, propriedade dos irmãos Joesley e Wesley Batista

Um grupo de senadores democratas está pressionando do Departamento de Agricultura (USDA) para suspender a ajuda financeira à companhias multinacionais. A decisão foi tomada depois que administração Trump foi criticada por ter liberado mais de US$ 60 milhões de verba para uma empresa brasileira processadora de carnes.

Na quarta-feira (29), numa carta enviada ao secretário da agricultura, Sonny Perdue, divulgada na quinta-feira (30), 9 senadores democratas criticaram a USDA de ter comprado carne suína da JBS USA, uma subsidiária da multinacional brasileira JBS AS.

“É inaceitável que os contribuintes americanos estejam subsidiando os nossos competidores através de ajuda comercial”, escreveram os senadores, incluindo o líder da minoria no Senado, Charles Schumer (D-NY) e 2 candidatos presidenciais democratas em 2020, Kirsten Gillibrand (NY) e Amy Klobuchar (Minn.). Os senadores Debbie Stabenow (Mich.), Sherrod Brown (Ohio), Patrick Leahy (Vt.), Richard Blumenthal (Conn.), Patty Murray (Wash.) e Tammy Baldwin (Wis.), também assinaram a carta.

“Nós pedimos a você que garanta que essas compras de produtos sejam realizadas de forma que beneficiem a base da agricultura e pecuária americanas e não os interesses comerciais de corporações estrangeiras”, diz a carta.

Os fazendeiros e rancheiros dos EUA estão no meio do fogo cruzado das brigas comerciais de Trump, incluindo a batalha de quase 2 anos com a China. Depois que Trump elevou os impostos nas exportações chinesas no início de maio, Beijing aumentou os impostos em US$ 60 bilhões de exportações de produtos da agricultura dos EUA. Em resultado, Trump liberou US$ 12 bilhões de verba direta e compras dos produtos produzidos por fazendeiros e rancheiros prejudicados pelo aumento de tarifas e disse, na semana passada, que liberaria mais US$ 16 bilhões em assistência financeira.

A JBS USA, a 2ª maior processadora de carnes dos EUA, recebeu US$ 64 milhões na venda de carne suína na primeira liberação de verba, a qual a companhia alegou irá, indiretamente, para os criadores de porcos que vendem suas produções à processadora de carnes. Entretanto, os democratas criticaram a administração Trump por liberar qualquer ajuda federal à uma companhia que é propriedade de uma multinacional.

“É contraproducente e contraditório essas companhias receberem ajuda que é paga com os dólares dos contribuintes; ao invés de ajudar os fazendeiros americanos que enfrentam dificuldades devido às políticas comerciais dessa administração”, escreveram os senadores.

Os legisladores também citaram o contrato de US$ 240 mil da USDA na compra de carne suína da Smithfield em 2018, a qual é propriedade da corporação chinesa WH Group. A Smithfield rejeitou a oferta depois que os republicanos, incluindo o Chefe do Comitê do Senado, Chuck Grassley (R-Iowa), criticaram a transação. Entretanto, os legisladores republicanos evitam comentar a JBS USA e os irmãos Joesley e Wesley Batista, que são proprietários da multinacional JBS SA.

Joesley e Wesley assumiram ter subornado milhares de autoridades brasileiras, foram presos e liberados da prisão, enfrentam acusações de corrupção comercial e mentir para procuradores de justiça. O Departamento de Justiça (DOJ) também está investigando os irmãos nos EUA por violarem o “Ato de Práticas Corruptas Estrangeiras”, segundo documentos apresentados no tribunal.

Semana passada, através de um comunicado, Perdue descartou preocupações sobre a administração da JBS USA e defendeu a decisão da USDA de ajudar financeiramente a companhia.

“Estas são empresas operando legalmente nos Estados Unidos. Isso não é diferente de as pessoas comprarem Volkswagens ou outros carros estrangeiros de empresas as quais os executivos delas podem ter assumido a culpa com relação a algo ao longo do caminho”, disse Perdue.

 

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