Descoberta mãe de brasileirinho encontrado sozinho na fronteira dos EUA

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Kalvyn Klayn Alexsandro Costa Silva, de 4 anos, foi enviado a um abrigo de menores em Chicago (Ill.) (Foto: GMB)

Kalvyn Klayn Alexsandro Costa Silva, de 4 anos, foi encontrado desacompanhado na região do Vale do Rio Grande (TX)

Nesta semana, ativistas comunitários brasileiros ajudaram a encontrar a mãe de uma criança de 4 anos, descoberta sozinha no Vale do Rio Grande (TX). Na região, um membro de uma igreja local tentou ajudar o menor, que ainda não falava direito, mas deu a entender que era natural do Brasil. Posteriormente, ele foi levado para um abrigo infantil em Chicago (Ill.).

Várias ONGs com sede em Massachusetts, entre elas o Grupo Mulher Brasileira (GMB), em Allston, e o New England Community Center (NECC), em Stoughton, contataram o abrigo e compartilharam o caso nas redes sociais. Em poucas horas, a mulher foi encontrada. Segundo fontes, ela mora na Pensilvânia e é indocumentada, portanto, evitou falar com a imprensa.

“Kalvyn Klayn Alexsandro Costa Silva (pode ser nome falso). Nascimento: 20 de agosto de 2015, provavelmente em Gonzaga (MG). Busca-se pelos pais desta criança que está em uma instituição em Chicago. Por favor, quaisquer informações sobre os pais, entrem em contato com o GMB”, circulou a mensagem nas redes sociais.

De acordo com as leis federais, a mãe de criança terá que submeter primeiramente a um teste de DNA, para depois contatar o abrigo para recuperar o filho. A criança é natural do município de Gonzaga (MG) e cruzou a fronteira dos EUA em companhia de um casal que não são os pais biológicos dela.

. Entenda o caso:

Semana passada, um membro de uma igreja no Vale do Rio Grande (TX) tentou acalmar um bebê de 3 anos, oferecendo-lhe um copo com canudinho. O homem não sabia quase nada sobre a criança que pronunciava poucas palavras, mas dando a entender que era natural do Brasil. A equipe do abrigo tentou desesperadamente encontrar a família dele, inclusive telefonando para o Consulado do Brasil em Houston (TX) e realizando pesquisas nas redes sociais.

No local, crianças em carrinhos de bebê eram transportadas pelo prédio, empurradas por trabalhadores que usavam camisas azuis brilhantes com a inscrição “Comprehensive Health Services, Inc.” (CHS). O nome pertence à uma empresa privada, com fins lucrativos, contratada pelo governo dos EUA para cuidar de crianças imigrantes.

O acolhimento de crianças imigrantes tornou-se um negócio crescente e lucrativo para empresas na Flórida, pois o número de menores sob a custódia do governo atingiu níveis recordes nos últimos 2 anos. Mais de 50 bebês, crianças e adolescentes estavam na mesma instalação onde estava o bebê brasileiro. O abrigo era limpo, bem iluminado e protegido por cercas de arame.

As crianças, muitas trajando calças pretas combinado com moletom cinza, estão oficialmente sob a custódia do governo federal. Entretanto, uma investigação conjunta da Associated Press e da FRONTLINE revelou que o governo Trump começou a transferir parte delas para o setor privado, ao invés passa-las para organizações sem fins lucrativos (ONGs) e entidades religiosas, que costumam cuidar das crianças. Atualmente, a única empresa privada que cuida de crianças migrantes é a CHS, de propriedade do conglomerado Caliburn International Corp., com sede em Washington-DC.

Em junho, a CHS detinha mais de 20% de todas as crianças imigrantes que estavam sob a custódia do governo. Mesmo com o número de menores diminuindo, o financiamento do governo para a empresa continua a fluir.

Na quinta-feira (3), questionado durante uma visita à Casa Branca sobre a investigação realizada pela AP e da FRONTLINE, o secretário de saúde do Presidente Donald Trump, Alex Azar, alegou que tais descobertas eram “enganosas”.

A CHS não informou se encontrou os familiares do brasileirinho e nem como ele chegou ao abrigo. De acordo com informações coletadas por funcionários, o menino teria sido encontrado perdido na fronteira, sem acompanhante.

A descoberta da criança está longe de ser um caso isolado, pois mais de 8.900 crianças desacompanhadas foram detidas pela Patrulha da Fronteira (CBP) em março; ou seja, quase o dobro do índice verificado em outubro de 2018. Como outro menino encontrado sozinho nas imediações de Brownsville (TX), no final de abril, os menores geralmente têm números de telefones de parentes nos EUA escritos em roupas ou pedaços de papel postos em bolsos.

“Esses casos partem o coração, pois essas crianças são pequenas demais e geralmente estão confusas e amedrontadas durante toda a jornada”, disse Lindsay Toczylowski, diretora executiva do Immigrants Defenders Law Center em Los Angeles (CA), que provê serviços legais às crianças desacompanhadas.

 

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