EUA e México disputam custódia de narcotraficante preso no Brasil

Foto6 Jose Gonzalez Valencia  EUA e México disputam custódia de narcotraficante preso no Brasil
Entre seus comparsas no Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), ele é conhecido como “Chepa”, “Santy” e “El Camaron”
Foto6 Jose Gonzalez Valencia EUA e México disputam custódia de narcotraficante preso no Brasil
José González Valencia apresentou uma cédula de identidade falsa sob o nome de “Jafett Arias Becerra” às autoridades brasileiras (detalhe)

Usando identidade falsa, José González Valencia gozava férias com a família num balneário em Pernambuco quando foi detido em dezembro de 2017

Ex-foragido, José González Valencia, de 44 anos, é um homem de muitos nomes. Entre seus comparsas no Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), um dos mais poderosos e violentos no México, ele é conhecido como “Chepa”, “Santy” e “El Camaron”. Além disso, ele seria membro do grupo de lavagem de dinheiro da quadrilha, Los Cuinis, nome dado a uma espécie de esquilo mexicano que se reproduz rapidamente. Na Bolívia, onde ele passou pouco mais de 2 anos foragido da polícia, ele era conhecido como Jafett Arias Becerra, um rancheiro respeitado.

Neste disfarce, o narcotraficante poderoso escapou das autoridades dos EUA, México e Bolívia, embora o Departamento de Estado dos EUA tenha oferecido a recompensa de até US$ 5 milhões por informações que resultassem na captura dele. José obteve uma cédula de identificação boliviana, comprou terra num conjunto residencial exclusivo e tornou um criador rico de gado zebu.

Entre 2016 e 2017, Valencia entrou e saiu da Bolívia inúmeras vezes, levantando questões sobre como foi fácil para ele levar a vida confortável de um rancheiro rico quando ao mesmo tempo era procurado pelos EUA sob a acusação de conspirar para distribuir quantidades grandes de cocaína. As autoridades bolivianas culpam o México pelo lapso, mas também admitiu que a região fértil de Santa Cruz de la Sierra, conhecida como o “celeiro da Bolívia”, é um esconderijo popular para narcotraficantes foragidos. As autoridades bolivianas reconheceram que precisam encurralar criminosos como “El Camaron” que encontram refúgio na região.

O CJNG alarmou as autoridades nos EUA e México pelas táticas brutais e o crescimento rápido desde que foi criado em 2011. Sediado em Guadalajara, a capital do estado de Jalisco, a quadrilha está por trás de alguns dos crimes mais notórios envolvendo drogas na última década, incluindo a tortura e morte de 35 traficantes rivais em Veracruz e a derrubada de um helicóptero militar com uma granada aérea em 2015. Além disso, o cartel até utiliza canibalismo como rito de iniciação de membros novos. Atualmente, o CJNG é presente na maioria do México e possui conexões no resto da América Latina, EUA, Ásia, Europa e Austrália. A gangue é responsável pelo tráfico de pelo menos 5 toneladas de cocaína e anfetamina aos EUA mensalmente, segundo o ex-procurador geral de justiça, Jeff Sessions.

Jeff considerou o CJNG um dos 5 grupos criminosos internacionais mais perigosos no mundo. “Nós estamos atacando-os por todos os lados e com todas as armas que temos”, disse Sessions durante uma coletiva de imprensa. “Eles estão em nossa mira. Esse cartel é a nossa prioridade máxima”.

Em dezembro de 2017, Valencia foi preso, não na Bolívia, mas sim no Brasil. Ele havia viajado de avião com um amigo boliviano, Mario Genaro Soljancic Fernandez, um vendedor de produtos veterinários para gado. Ele planejava se encontrar com a esposa e filhos, que vivem nos EUA, durante um feriado no balneário nordestino de Taíba. Usando o nome de Soljancic, eles alugaram um carro e um bangalô, incluindo quadra de basquetebol e uma piscina pequena por 15 dias.

Em resposta ao pedido de prisão emitido pelos EUA às autoridades em Brasília (DF), policiais da cidade de Fortaleza (PE) identificaram o carro alugado e passaram a monitorar os suspeitos, relatou Aldair da Rocha, responsável pela operação. Valencia foi preso no interior de uma loja em frente ao Beach Park, um parque aquático, em 27 de dezembro de 2017. Na ocasião, ele portava a cédula de identidade boliviana.

Atualmente, Valencia cumpre pena no Brasil pela utilização de documento falso e aguarda a extradição para os EUA na Penitenciária Federal de Mossoró, uma prisão de segurança máxima para determinados indivíduos perigosos.

 

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