ICE prende indocumentado que buscou refúgio em igreja

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Samuel Oliver Bruno deixou o México em 1994, e sua esposa veio para os EUA dois anos depois com uma permissão de trabalho

Samuel Oliveer Bruno morava no porão da Igreja Metodista Unida CityWell, em Durham (NC), desde o final de 2017

Um imigrante indocumentado que está em um santuário em uma igreja da Carolina do Norte há mais de um ano foi levado sob custódia na sexta-feira (23) quando ele deixou a igreja para uma reunião no escritório do Departamento Cidadania & Serviços Migratórios (USCIS). Samuel Oliver Bruno, um mexicano de 47 anos, havia recentemente submetido uma petição de ação diferida e estava cumprindo uma “consulta de biometria processual para verificação de antecedentes” no escritório do USCIS em Morrisville, Carolina do Norte, quando ele foi detido, de acordo com uma declaração do grupo de defesa de imigrantes Alerta Migratoria NC.

Ele morava no porão da Igreja Metodista Unida CityWell, em Durham, desde o final de 2017, informou o jornal The News and Observer, de Raleigh.

Bruno foi cercado por agentes à paisana do Departamento de Imigração  (ICE) “apenas alguns minutos” depois de entrar no escritório do USCIS, acompanhado por seu filho de 19 anos, seus advogados de imigração e membros do clero e comunidade, de acordo com Alerta Migratoria. Ele foi “forçado” a entrar em uma caminhonete nos fundos do prédio, mas seus apoiadores, que esperavam do lado de fora do escritório, “correram para bloquear o veículo”, disse a ONG.

Os manifestantes que bloquearam o veículo foram presos, disse uma porta-voz do Departamento de Polícia de Morrisville ao canal de TV ABC News.

Agentes que estavam no local tentaram avisar o grupo em torno da caminhonete que eles seriam presos por obstrução se eles não se dispersaram, disse a porta-voz. Vinte e sete pessoas, incluindo o pastor de Citywell, Cleve May, foram presas quando se recusaram a obedecer, disse a polícia.

“Eles não queriam sair de frente da caminhonete”, disse a porta-voz. “Nossos policiais tiveram que colocá-los sob prisão por não dar (ao veículo) o direito de passagem”.

Alguns membros da multidão inclinaram seus torsos sobre o capô do carro, conforme o vídeo postado na página do Facebook do Alerta Migratoria.

Um porta-voz do ICE confirmou à ABC News que Bruno foi preso como parte de uma “ação coordenada”.

“O Sr. Oliver-Bruno é um criminoso condenado que recebeu todo o processo legal apropriado sob a lei federal, não tem apelações pendentes e não tem base legal para permanecer nos EUA”, disse Bryan Cox, diretor de comunicações da ICE, em uma declaração.

O filho de Samuel, Daniel Oliver-Perez, estava entre os manifestantes presos, informou a afiliada da ABC Raleigh-Durham, WTVD. Oliver-Perez é cidadão americano, noticiou o The News and Observer.

Bruno foi levado ao escritório da ICE em Cary, Carolina do Norte, disse o grupo de ativistas, acrescentando que a prisão colocou a vida dele em perigo.

“Se deportado, Samuel teme por sua vida”, afirmou Alerta Migratoria em um comunicado. “Se for deportado, Samuel será devolvido ao estado de Veracruz, onde sua família enfrentou recentemente ameaças e que é um estado que está constantemente em ameaça de cartéis de drogas. Se for deportado, o ICE entregará Samuel ao perigo e à morte. Além disso, O ICE não está nos permitindo dar a Samuel suas pílulas diabéticas ou medicamentos para insulina, o que está colocando sua vida ainda em perigo”.

Samuel apareceu em um vídeo na página do Facebook do Alerta Migratoria na quarta-feira (21), pedindo apoio em espanhol para quando ele entrou na “caverna do lobo”.

Em maio de 2014, Oliver Bruno foi preso por agentes da Patrulha de Fronteira dos EUA em El Paso, Texas, “enquanto tentava entrar nos EUA usando documentos fraudulentos”, disse Cox. Ele foi então suspenso “exclusivamente por processo criminal federal” e foi condenado no Tribunal Distrital dos EUA pelo Distrito Oeste do Texas no final daquele mês, disse Cox.

Bruno foi libertado da custódia do ICE em junho de 2016, e seu caso “esteve sujeito a extensas apelações”, disse Cox, acrescentando que as autoridades “concluíram que Oliver Bruno não tem base legal para permanecer nos EUA”.

O USCIS havia solicitado Samuel fornecesse as impressões digitais pessoalmente, um requisito para sua petição de deportação adiada, noticiou o The News and Observer. Ele se mudou de sua casa em Greenville para a igreja no ano passado, depois que o ICE o notificou de que deixaria de praticar o livre arbítrio por sua remoção, informou o jornal local. O ICE normalmente não faz prisões em igrejas, escolas ou hospitais.

Bruno deixou o México em 1994, e sua esposa veio para os EUA dois anos depois com uma permissão de trabalho, segundo o The News and Observer. Não está claro quando e por que ele inicialmente deixou os EUA, mas sua tentativa de cruzar a fronteira novamente em 2014 deve-se à esposa, que passava por uma cirurgia de coração aberto nos EUA, de acordo com o jornal.

 

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