Preso no Brasil líder de quadrilha de “coiotes” que agia nos EUA

Foto8 Penitenciaria Nelson Hungria Preso no Brasil líder de quadrilha de “coiotes” que agia nos EUA
O líder da quadrilha internacional de “coiotes” foi transferido para a Penitenciária Nelson Hungria (detalhe), em Contagem (MG)

O indivíduo, cujo nome não foi divulgado, natural de Conselheiro Pena (MG), foi detido no município de Serra (ES)

Em 24 de julho, a Polícia Federal (PF) localizou e prendeu na cidade de Serra (ES) o líder de uma gangue internacional que transportava clandestinamente brasileiros aos EUA. O indivíduo, cujo nome não foi revelado, é natural de Conselheiro Pena (MG) e, além de atuar no tráfico de pessoas, sequestrava os imigrantes, após a travessia da fronteira do México com os EUA, para extorquir os familiares das vítimas.

Grande parte das vítimas é natural de Governador Valadares (MG), na região do Vale do Rio Doce. Elas pagavam em torno de R$ 10 mil (US$ 2.480) a R$ 15 mil (US$ 3.800) pelo percurso. O “coiote” (traficante de pessoas) estava sendo investigado desde 2008, após ter sido denunciado à PF por uma das vítimas dele. Atualmente, ele morava entre a Guatemala e México.

O esquema iniciava na viagem do Brasil rumo à Guatemala. Uma vez no país, os “coiotes” guiavam as pessoas através da fronteira do México com os EUA, onde as vítimas mantidas em cativeiro até que seus familiares pagassem resgates de até R$ 10 mil. Durante a cobrança do resgate, as vítimas sofriam tortura mental através de ameaças de mutilação física ou armas.

Em 25 de julho, o líder da quadrilha foi transferido para Belo Horizonte (MG) e posteriormente para a Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na região metropolitana da capital mineira.

. Outro suspeito é preso:

Em julho do ano passado, a Polícia Federal de Rondônia prendeu um indivíduo suspeito de trazer crianças e adolescentes brasileiros de forma clandestina até os EUA. Segundo a PF, cerca de 30 crianças foram enviadas por ano, desde 2016, aos Estados Unidos. A ação ocorreu na cidade de Ji-Paraná (RO), na Região Central do estado, através da 3ª fase da Operação Piratas do Caribe. As autoridades de segurança também tentam prender um segundo suspeito que trabalha como “coiote” (traficante de pessoas) nas Bahamas para ajudar a levar as crianças ilegalmente.

A prisão do suspeito aconteceu depois que o Ministério das Relações Exteriores informou que investigaria a ação de grupos de traficantes de pessoas (coiotes) que atraem “clientes” no Brasil para transportá-los clandestinamente aos EUA. Os brasileiros são levados até o México, onde outros indivíduos cruzam com eles a fronteira dos EUA. A decisão foi tomada depois que o Ministro Aloysio Nunes visitou nos Estados Unidos abrigos que mantém crianças separadas dos pais que entraram clandestinamente no país. O Itamaraty acredita que existam redes de coiotes que atuam no Brasil, portanto, pediu aos órgãos de segurança e inteligência, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e a Polícia Federal (PF), que investiguem o assunto.

Em 2015, agentes da PF desbaratou uma quadrilha cujos membros atuavam como “despachantes” para a obtenção de documentos falsos que facilitariam a entrada nos EUA.

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o Ministro criticou a irresponsabilidade dos pais brasileiros em tentarem entrar clandestinamente nos EUA com seus filhos. “Há uma enorme e cavalar irresponsabilidade desses pais. É evidente que o pai que empreende uma aventura dessas sabe que haverá um risco, que será arcado principalmente pela criança, a mais vulnerável”, disse Aloysio.

O Ministério das Relações Exteriores calcula que hajam 40 crianças brasileiras mantidas em abrigos nos EUA. Elas foram separadas dos pais quando foram detidos na fronteira sob a política de “tolerância zero” da administração Trump. A prática gerou ultraje em vários segmentos sociais e políticos nos EUA e uma ação judicial determinou que o governo atual voltasse atrás e devolvesse às crianças às suas famílias o mais rápido possível. O governo do Brasil teme que o “afrouxamento” da tolerância zero por parte das autoridades americanas incentive os coiotes a continuarem a traficar pessoas.

 

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