Retratos em Preto e Banco…Com saudades coloridas!

Na verdade, uma fotografia em preto e branco como é chamada hoje, nos dá a saudade do retrato.

Faz tanto tempo que não se fazem mais retratos em preto e branco, que quando alguém se arrisca, vira até artista.

Um retrato pode ser no antigo preto e branco, mas quantas saudades coloridas ele nos traz, e é fácil saber por quê!

Quem se vê numa foto preto e branco, dificilmente não tentará lembrar a cor da calça, da camisa, da blusa, da saia ou do vestido. Você lembraria?

Qual, por exemplo, a cor daquele pequeno carrinho de mão de madeira, que você empurrava cheio de gravetos aos quatro anos de idade? Azul com preto, vermelho com preto, verde com amarelo, ou quais cores? Ou não seria ele de uma única cor?

E naquele seu passeio aos dez anos de idade na beira da praia, (ah! O mar pela primeira vez!) qual era a cor de seu maiô?

Como eram mesmo os nomes daqueles amigos que estavam junto com você no retrato em preto e branco na formatura do ginasial? Quem era loiro ou tinha os cabelos pretos, hein?

Por mais antigas que sejam as paisagens que sirvam de moldura, podemos até lembrar a cor de nossas roupas, mas dificilmente vamos lembrar se as rosas do jardim eram brancas, amarelas ou rosas, embora as que aparecem em tom escuro, claro que deveriam ser vermelhas. Sim porque não existem rosas pretas, marrons, azuis e assim só poderiam mesmo ser vermelhas. Mas e a cor do banco da praça? Era cinza, branca, amarela? Não lembro mais. E as madeiras do encosto e do assento, verdes, azuis, vermelhas? Sabem que também não sei?

Como também não tenho certeza se havia sol ou estava nublado, mas pelas sombras que aparecerem parece mesmo que era um belo domingo de sol, e pela posição da sombra, era de manhã. Ou não?

Ah… Mas a cor dos olhos daquela namorada, eu jamais esqueci. Seus cabelos eram pretos puxando para o castanho, ou castanhos quase pretos? Não lembro mesmo. Não me perguntem também se eram crespos ou lisos. Seu vestido era rosa, branco, amarelo ou azul claro? Como vou lembrar? Faz tanto tempo, poxa!

Ah, os olhos! Os olhos? Verdes como duas esmeraldas ou do mar profundo!

O retrato pode estar em preto e branco, mas as saudades, estas, são sim, coloridas. Não?

Escritor, colunista e palestrante, membro da AGEI, Associação Gaúcha dos Escritores Independentes.

Esta coluna está em mais de 70 jornais impressos e eletrônicos do Brasil e Exterior.

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