Tatiana Cobbett e Marcoliva juntaram uma trupe e com ela gravaram Bendita Companhia

Tatiana, bailarina, compo­sitora e cantora, se juntou ao compositor, violonista e cantor Marcoliva. Deste encontro musical nasceu a vontade de trazer para perto de si outros igualmente seduzidos pelo fazer música. Mambembando Brasil afora, pé na poeira da estrada, antenas ligadas para captar sons que comungassem com os deles, trataram de agregar novos integrantes ao núcleo original da trupe.

Assim nascia Bendita Companhia, CD independente de uma turma que sabe da força de criar, unida por um sentimento que vai além da música. Feito marinheiros que conquistam um novo amor a cada porto, os dois foram seduzindo músicos por onde aportaram. E tem mineiro e tem catarinense, tem gaúcho e potiguar, tem sergipano e brasilidade, como o feijão e o mungunzá.

Bendito é o encontro que multiplica; bendita é a vida vivida em solidária companhia; bendito é o fruto do trabalho que brota de mãos entrelaçadas, pois delas brota força ainda maior para criar.

Para o álbum, Tatiana compôs treze músicas, sendo cinco sozinha e oito com parceiros (destas, quatro com Marcoliva). Ele, além das quatro com Tatiana, compôs outras três. E também tem canções do excelente acordeonista Alessandro Kramer; do violonista e cantor Joubert Moraes; da sergipana Mariacida; do guitarrista e violonista Jobert Narciso, autor de um dos dois temas instrumentais de Bendita Companhia; do cantor e violonista Zé Fontes; do violista Mauro Albert; de Zelito Coringa; e do baixista Rafael Calegari, ele que com o saxofonista Ney Platt compôs o outro tema instrumental do CD.

Com harmonias bem talhadas, todos criaram canções que retratam o Brasil e sua enorme diversidade musical. São composições ricas em ritmos e em melodias, com letras, principalmente as de Tatiana Cobbett, tratando do dia a dia da forma mais eloquente. E, acima de tudo, criaram canções tocadas com o vigor dos que amam a música e a ela se entregam com o ardor de um grande amador.

Os arranjos, notadamente os das músicas de ritmos nordestinos – que é quando o CD se torna mais atraente –, são extremamente ricos, e neles a zabumba e o acordeom dão show. Assim é também no samba e no choro: tem cavaco e tem trombone, tem piano, bateria e cavaquinho… tem boa música brasileira.

Valendo-se da farta instrumentação, que conta também com a participação do bom grupo Mandumblá, a voz diferenciada, grave e teatral de Tatiana se esbalda em ótimas interpretações. Assim é também com Marcoliva, cujo violão firma a harmonia e pontifica em cada arranjo que toca.

O fazer junto é exercício difícil, mas, quando levado a cabo, engrandece. E Bendita Companhia ensina que solidariedade é fazer música e aproveitá-la em conjunto, e que uma obra se faz melhor quando em comunhão. Junto a outros, cada um é mais, já que são muitos em um.

Bendita é a companhia que se fortalece no coletivo com a energia que vem de muitas cabeças, de muitas entranhas.

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