De bem com a bossa nova e com o Leblon

Ainda que ao gravar seus autorais CD e DVD De Bem Com a Vida (Dabliú) Alberto Rozenblit estivesse longe de supor que depois o Rio de Janeiro seria escolhido como sede das Olimpíadas de 2016, eles são uma ode à cidade tão maravilhosa quanto conflituosa.

Tendo como referências a bossa nova e a zona sul do Rio de Janeiro, o pianista, arranjador e compositor carioca se esmerou em homenagens ao gênero e elegeu como palco não a Copacabana dos anos 1960, mas o Leblon dos anos 2000.

Com exceção de “Pororoca”, faixa instrumental que fecha o álbum e que é só dele, Alberto Rozenblit deu melodias para parceiros versejarem o amor às belezas do Rio que tem a baía de Guanabara banhando-lhe os pés, a serra do Mar a lhe proteger a vista e o céu com vocação para ser ensolarado.

São parcerias com Paulinho Tapajós (“Dia a Dia”, “Pixinguinha Morreu de Rir” e “Beco das Garrafas”), Luiz Fernando Gonçalves (“Toada da Vida”, “De Bem Com a Vida” e “Na Rua Sol Maior”), Joyce (“Esperei”), José Carlos Costa Neto (“Leblon”), Xico Chaves (“Corações Riscados”) e Ricardo Brito (“Quero Ver Você Feliz”).

Para cada uma, um intérprete a lhe acrescentar emoção e reverência: Ivan Lins; o grupo vocal integrado por Maurício Maestro, Claudio Nucci, David Tygel e Vicente Nucci; Mônica Vasconcelos; Ney Matogrosso; Joyce; Zé Renato; Zélia Duncan; Celso Fonseca; Leila Pinheiro; Arranco de Varsóvia e Lenine. Todos fazendo de De Bem Com a Vida um disco de músicas bem cantadas (destaques para Mônica em “Dia a Dia”, Leila Pinheiro em “Corações Riscados” e Zé Renato em “Na Rua Sol Maior”) e de melodias que, simples ou complicadas, vêm embaladas por harmonias muito bem elaboradas.

Alberto Rozenblit arregimentou uma grande orquestra de cordas (doze violinos, quatro violas e quatro cellos) e com ela toca em quatro músicas. Mas a sonoridade de cada uma das faixas do CD não se repete, graças a uma cozinha plena de mestres: Roberto Menescal, Claudio Jorge, Joyce e Lula Galvão no violão; Marcos Zama, Paulinho da Aba, Celsinho Silva e Pirulito na percussão; Jorge Helder e Sergio Barroso no contrabaixo; André Tandeta, Tuti Moreno, Jurim Moreira, Paulo Braga e Marcelo Costa na bateria. E ainda flauta, trombone, clarinete, violão de sete, trompete e flugelhorn. Todos, mais o piano impecável de Alberto Rozenblit, criando musica boa de se ouvir.

Os arranjos e as orquestrações são de Rozenblit, com exceção de um, em que ele dividiu as funções com o cavaquinista Alceu Maia, e das interpretadas pelos dois grupos, para as quais fez os arranjos de base, e que tiveram os arranjos vocais feitos um por Maurício Maestro e o outro por Paulo “Pauleira” Malaguti.

De Bem Com a Vida é uma homenagem feita ao Rio com músicas de qualidade, como se criadas com a “missão” de levantar o astral da cidade da qual, tão maravilhosa, ninguém tira a aura. Ainda que, diariamente, marginais e corruptos de todos os níveis tentem achincalhar e ameaçar sua paz.

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