Nada mais belo

Capa CD Regina Machado Multiplicar se Unica Cancoes de Tom Ze 300x269 Nada mais beloA cantora e compositora paulistana Regina Machado lançou Multiplicar-se Única – Canções de Tom Zé (Canto Discos), dedicado à obra de Antônio José Santana Martins, o extraordinário e sempre surpreendente Tom Zé.

Com produção e arranjos de Dante Ozzetti, os trabalhos começam com “Lua-Gira-Sol”. O violão de Dante Ozzetti sola a introdução. Logo a bateria (Sergio Reze) se junta a ele, criando efeitos percussivos. Regina (en)canta: Lua uva/ Lua nova/ Lua noiva, ô luar. Há um suingado riff de guitarra (Dante Ozzeti), baixo (Zé Alexandre Carvalho) e bateria que se repete ao longo do arranjo instrumental e acrescenta pimenta ao molho da levada. É quando, graças ao arranjo de Dante Ozzetti e à voz de Regina Machado, as melodias e as letras de Tom Zé principiam a redescoberta de suas origens iniciais.

Este começo é apenas uma parte da fina concepção estético/musical implementada por Dante Ozzetti ao longo das nove faixas do álbum. Com a sutileza de uma adequada emissão de voz, tanto nos agudos quanto nos graves, sua boa afinação e seu bom gosto para dividir as frases melódicas, Regina desnuda a fortuna das canções escolhidas por ela e por Silvia Ferreira.

“Multiplicar-se Única”, que dá título ao disco, vem a seguir. A guitarra (Norberto Vinhas) “esbarra” em notas que servem de fundo para o cantar ad libtum de Regina. A programação do teclado e a percussão (Guilherme Kastrup) logo têm o reforço do rufo na caixa. Irrompe, então, a guitarra, distorcendo as notas. Regina canta: No ar/ O som da voz/ Canta por nós/ Cordas vocais/ Sem cais, cordas ou nós. A bateria acentua a marcha na caixa, a guitarra se lança aos acordes firmes, a percussão leva ao fim.

Baixo (Zé Alexandre Carvalho) e guitarra (Dante Ozzetti) regem o início de “O Amor é Velho-Menina”. A linda música de Tom Zé cresce nos agudos de Regina. Puxado pela percussão (Guilherme Kastrup), o ritmo chega. O violão (Dante Ozzetti) dá o chão harmônico para os versos: O amor zomba dos anos/ O amor anda nos tangos/ No rastro dos ciganos/ No vão dos oceanos.

“Menina Jesus” tem levada encadeada pelo violão (Dante Ozzetti) e por programações (Guilherme Kastrup). Levada que se mantém até o final da épica canção, acrescida do belo som de um clarinete (Maria Beraldo Bastos).

A homenagem a São Paulo “Augusta, Angélica e Consolação” tem participação vocal especial de Suzana Salles e Wandi Doratiotto. O arranjo coletivo, com violões tenor e de sete cordas, tuba e clarinete, cavaquinho e percussão, veste a referência a Adoniran Barbosa e Paulo Vanzolini.

A minimalista “Solidão” tem um triste fagote (Ronaldo Pacheco) e ruído de passos e sons ambientes que, por vezes, cortam o canto bruscamente, como quando interrompem o canto na última sílaba da palavra “telefone”: Solidão/ Olha a casa é sua/ O telefo…/ Solidão

Apenas e nada mais do que o canto bonito de Regina Machado e os insofismáveis arranjos de Dante Ozzetti. Nada tão belo. Nada além do que músicas de Tom Zé.

Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4

 

 

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