E foi assim…

Capa CD Artur Padua E foi assim...Imagino que o que senti nos últimos dias, leitor, você também já tenha sentido ao ouvir pela primeira vez um disco que você não fazia ideia de suas qualidades nem defeitos.

Primeiro vem a surpresa; a seguir, a constatação; logo, a vontade de ouvi-lo mais uma vez. E foi exatamente isso que se deu comigo ao escutar Campo Aberto (Acari Records), o álbum de estreia do jovem mineiro (25 anos) Artur Padua. Também violonista, ele foi aluno na Escola Portátil de Música, quando aprendeu a tocar o instrumento com o mestre do sete cordas Maurício Carrilho.

Com arranjos e direção musical de João Camarero, Artur contou com um time de responsa para acompanhá-lo: dentre outros, o Regional Imperial, Rafael Toledo (percussão), Lucas Arantes (cavaquinho), Junior Pita (violão seis cordas) e o próprio João Camarero, que toca violão sete cordas em doze das treze faixas do CD.

E foi assim que Artur Padua se fez um grande cantor.

Com cinco músicas inéditas de João Camarero e Paulo César Pinheiro, dentre elas “Flor da madrugada”, que conta com a participação da cantora Amélia Rabello, o repertório é supimpa!

Em “Mesmo Sem Alegria” (Paulinho da Viola), a cuíca chora. O violão de sete conduz. Como um veterano, afinado que só ele, Artur vai ao samba. O coro vem. O ritmo é uma verdadeira locomotiva a deslizar firme pela estrada de ferro do arranjo. E lá vai ele…

“Campo Aberto”, que nomeia o CD, outra composição de João Camarero e Paulinho Pinheiro, é um dos mais belos dentre tantos sambas bons. A flauta (Antonio Rocha) toca comentários relevantes. Logo o piano (Fernando Leitzke) dá o primeiro toque de sua participação. O sete (Camarero) diz “presente!” E foi assim, com o piano tocando notas soltas e ascendentes no contratempo, que o samba se formou.

“Pra Machucar Meu Coração” (Ary Barroso) encontra um cantor cuja interpretação faz dele um intérprete diferençado. Ao cantar o clássico, Artur quase nos faz crer que essa é a primeira gravação do samba de Ary.

“Flor da Madrugada” (João Camarero e Paulinho Pinheiro) vem só com o sete cordas. A música volta ao início. De lá, aguardando a melodia, Amélia pega-a pela mão e, junto com Artur, vão ao final.

“Página de Dor” (Pixinguinha e Cândido das Neves) – uma valsa delicada – tem intro de acordeom (Bebê Kramer) e flauta (Antonio Rocha). Artur solta a voz. E que voz! Meu Deus!

Em “Amei Tanto” (Baden e Vinícius) o ritmo quebra tudo e entrega para Artur, que, no início, mostra-se tímido, mas aos poucos volta a encorpar o seu cantar.

“Tua Beleza” (Bide e Marçal) inicia com um naipe de tamborins (Rafael Toledo). Poucas vezes eu ouvi uma sessão rítmica tão suingada como a do CD de Artur. O sete (Camarero) e o trompete (Aquiles Moraes) enriquecem o arranjo.

“Quando a Saudade Apertar” (Jaime Florence e Leonel Azevedo) tem apenas o sete cordas de Mauricio Carrilho. É o professor acompanhando seu aluno e transparecendo emoção. Artur saca o lance do mestre e brilha.

E foi assim que Artur lançou um grande disco.

Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4

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