Facebook

bunder KLEDIR FacebookHoje em dia, quando quero saber dos meus filhos, eu entro no Facebook. Não, eles não moram em outro país, vivem comigo, sob o mesmo teto. O que acontece é que nas conversas do dia a dia não sobra tempo para certos assuntos mais íntimos, aquelas coisas que a gente só revela para os amigos mais chegados, os 5.000 que fazem parte do nosso perfil.
Ainda bem que fui adicionado no Face deles, assim fico sabendo, por exemplo, que eles “uhuuu!!!” conseguiram ingresso para o show do Los Hermanos. É assim mesmo, cada conquista, por pequena que seja é sempre acompanhada do grito de vitória: “uhuuu!!!”.
E não se iluda. Eles não vão ficar gastando os “uhuus” deles num almoço em família se podem muito bem dividir essa euforia com os 5.000 eleitos, que por sua vez vão espalhar para outros 5.000 e assim ad infinitum, em progressão geométrica.
E mais. No Face, alem do texto, podem ilustrar o assunto com fotos, vídeos e links. Muito mais interessante. Essa gurizada não quer perder tempo com bate-papo. Só se for online, onde podem falar com vários ao mesmo tempo. Pra quê conversa ao pé do ouvido, se podem falar no microfone? E com a câmera ligada?
Confesso que adoro esses avanços da tecnologia. Uso muito o Skype, por exemplo. Pra fazer reuniões, conversar com minha mãe em Pelotas e pra matar a saudade da família, quando estou em viagem, sozinho, num quarto de hotel. O notebook é o meu fiel companheiro. Alem de servir de telefone com imagem, é também a minha máquina de escrever, meu aparelho de som, meu correio, meu canal de informações, meu estúdio de gravação, meu álbum de fotografias… Ah sim, e é a minha ferramenta de acesso ao Facebook, para eu poder estar conectado com as pessoas, em rede social.
Só temos que tomar cuidado para não substituir o mundo real por esse virtual. Se bem que pelo pensamento hinduísta, o mundo da matéria onde estamos metidos é Maya, ilusão. Então, no fim das contas, qual é o verdadeiro? O que é real, o que é fantasia? De repente esse universo “na nuvem” está mais perto das coisas eternas. Quem vai saber?
Estamos vivendo outros tempos. Se será melhor ou pior, só saberemos no futuro. Minha única certeza é que, apesar de atordoado com tanta novidade, não abro mão da minha função de pai. Continuo atento e ligado aos movimentos dos meus filhos, mesmo “na nuvem”.
Uhuuu!!!

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