Chá

O chá é uma bebida preparada a partir da infusão de ervas, folhas ou raízes. Existe chá preto, chá branco, chá verde. Chá de hortelã, de camomila, de boldo, de jasmim e até de bergamota.

Todas as culturas, através da História, adotaram a bebida. Há no oriente a Cerimônia do Chá, um ritual iniciático de elevação espiritual. Na Amazônia, algumas comunidades misturam cipó Caapi com folhas de Chacrona e fazem um chá conhecido como Ayahuasca que, dizem, provoca uma expansão de consciência e revela uma outra dimensão da realidade.

Nós, os gaúchos, aprendemos com os índios guaranis a tomar o chimarrão. Preparado com a folha da Ilex Paraguariensis, o mate amargo não chega a abrir as portas da percepção mas, segundo o ditado popular, “é bom pras idéia e pras urina”.

De todas as tradições, o chá inglês é o que mantém o protocolo mais rigoroso. Deve ser bebido com um pingo de leite, pontualmente às 5 da tarde e com o mindinho levantado.

O jogador Adriano, quando abandonou a Inter de Milão, tomou um chá de sumiço no Rio de Janeiro e foi encontrado vários dias depois no Complexo do Alemão. Ao voltar pra casa, levou um puxão de orelhas de sua mãe com a recomendação: “você tá precisando é tomar um chá de juízo”.

Alguns médicos e dentistas têm o hábito de dar um chá de cadeira nos pacientes. As mulheres, quando vão casar, fazem chá de panela. Depois fazem chá de bebê ou chá de fraldas. No Rio Grande do Sul, usamos a expressão chá de pêra, para quem faz o papel de acompanhante de um casal de namorados.

Tia Hilda era irmã de minha vó Ramila e, como todas as mulheres da família, era forte, cheia de saúde e chegou quase aos 100 anos de idade. Já idosa, com mais de 90, tinha uma receita certa para qualquer tipo de enfermidade: chá de losna. Se alguém chegasse em sua casa reclamando de uma certa indisposição de estômago, frieira ou queda de cabelo, qualquer coisa, ela recomendava chá de losna. Não só recomendava como imediatamente levantava e dizia: “vou fazer um chá de losna pra ti, meu filho. Vai sarar na hora”. Levantava, ia até o quintal, passava a mão em qualquer capim verde que encontrava e jogava numa panela de água quente. Era um perigo. Corria-se o risco de tomar chá de alface, urtiga ou erva daninha.

Então, cada vez que íamos visitar tia Hilda e ela perguntava pela saúde, eu respondia rapidamente: “nunca estive tão bem, tia”.

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