Autorretrato

Autorretrato pode ser um desenho, um texto, uma canção. É alguém falando de si mesmo. Mas quem garante que ele não está inventando história? No meio da realidade, sempre vem um monte de fantasia. Como dizia John Lennon, “metade do que eu digo não faz sentido”. Agora, qual a metade que vale, você vai ter que descobrir sozinho.

A oficina de criação da maioria dos artistas fica numa zona nebulosa entre a ficção e a realidade. É ali que nascem roteiros, romances, coreografias. O processo de criação é uma das mais belas manifestações do ser humano. Dizem que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus pela sua capacidade de criar. Já fiz muitas coisas na vida, entre elas, minhas obras primas Julia e João.

Autorretrato é o nome do novo CD/DVD que Kleiton e eu estamos lançando. A canção título é uma conversa entre dois amigos, onde cada um abre o coração e conta aquelas coisas que a gente só revela pra um amigo de verdade, num fim de noite, numa mesa de bar. “Coisa boa é um amigo / Pra poder conversar / E trocar figurinhas”.

Esse é o conceito que permeia todo o trabalho: o valor da amizade e o prazer de compartilhar com os outros o que se tem de melhor. “Tu me ensina a viver / Que eu te ensino a sonhar”. Um sentimento clássico que sempre se renova e hoje encontra sintonia com as novas relações virtuais, onde as pessoas se expõem cada vez mais na internet através de fotos, vídeos e textos.

É claro que muitos, disfarçados por uma foto retocada, inventam um falso perfil para conseguir dizer certas coisas. Já é um começo. Aos poucos irão tomando coragem para revelar seus segredos mais íntimos de peito aberto, escancarado.

No meio da fantasia, sempre vem um monte de realidade. Fernando Pessoa escreveu que “O poeta é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente”. Tem gente que faz poesia. Tem gente que pinta um quadro. Tem gente que faz cinema. Agora, o que é delírio e o que é documentário? Vai saber…

Kleiton e eu fazemos canções. É o que a gente sabe fazer. É o nosso jeito de abrir o coração e contar histórias.

E você? Como é que você faz? Você tem figurinhas pra trocar?

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