A cor do dinheiro

“Até agora não vi a cor do dinheiro”. O que quer dizer exatamente essa expressão? Qual é a cor do dinheiro? As cédulas aqui no Brasil têm cores variadas: azul, amarelo, verde, vermelho, laranja. Talvez se pudesse dizer também “a cara do dinheiro”, pois em geral ele tem algum rosto estampado. Antigamente nossa moeda oficial – o Cruzeiro – tinha a cara da Princesa Isabel, do Getúlio Vargas, do Dom Pedro II, do Tiradentes, do Marechal Deodoro e de outras figuras da nossa história política.

Mais antigamente ainda, as coisas eram pagas em Réis. Não, não é do meu tempo, sou um pouco mais jovem. Acompanhei as mudanças monetárias e os desarranjos da economia brasileira a partir da segunda metade do sec XX. Lembro quando apareceu o Cruzeiro Novo, que era igual ao velho, só que trazia um carimbo para identificar o inacreditável: 1000 passou a valer 1. Depois veio o Cruzado, que também precisou passar por uma renovação. Essa fase do Cruzado Novo é a que eu mais gosto, pois foram homenageados Machado de Assis, Portinari, Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meirelles. E, justiça seja feita, eles não têm culpa se o plano econômico não funcionou.

Os norte-americanos, pragmáticos, usam notas discretas e muito parecidas. Os dólares são quase monocromáticos. Não importa se é 1, 20 ou 100 dólares. A cor é praticamente a mesma: “verdinhas”. O que varia, o que faz a diferença é o número que vem impresso. É objetivo, mas fica sem graça.

Desde a adoção do Real, o dinheiro brasileiro tomou uma outra dimensão. Além de marcar o fim da inflação, ficou bonito e ecologicamente correto, fazendo uma homenagem à nossa fauna. Beija-flor, tartaruga de pente, garça, arara, mico leão dourado, onça pintada, garoupa. Agora, não me pergunte porque uma garoupa vale dez araras. Não faço a menor idéia.

Pelo mundo afora há cédulas lindas, como o Franco da Polinésia Francesa, o dólar Antártico, o Guilder Holandês, o Tenge do Cazaquistão e a Libra Egípcia. Coloridas, cheias de desenhos e figuras exóticas. Pode ser que não tenham tanto valor comercial, mas com certeza têm um grande valor artístico.

Não sou colecionador, mas guardo com carinho cédulas de alguns lugares. Prefiro ficar admirando a obra de arte no papel moeda, do que as coisas que ela poderia ter comprado. Loucura? Não acho. Tudo é uma questão de valores.

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