Mirianês Zabot ama Gonzaguinha

Capa CD Mirianês Zabot Mirianês Zabot ama GonzaguinhaPor amor a Luiz Gonzaga Nascimento Júnior, através de seu ofício, a cantora e compositora Mirianês Zabot resgata os 25 anos da morte de Gonzaguinha com o CD Pegou Um Sonho e Partiu (independente).

Eu costumo escrever apenas sobre álbuns recém-lançados, mas o tributo a Gonzaguinha foi lançado em… 2016. E agora? Bem, não sendo um disco recém-lançado, me vi diante de uma situação meio enrolada – Mirianês Zabot ama Gonzaguinha. Mas quem continuar lendo logo saberá o que decidi.

Antes de seguir em frente, peço-lhes que me perdoem, pois terei de me alongar mais um cadinho: bem, foi depois de um show do MPB4 com o Duo Gisbranco, no Sesc Vila Mariana, que o amigo Fred Rossi nos apresentou Mirianês. Ela nos presenteou com seu disco e eu lhe garanti que o ouviria. Pois bem, ouvi, chapei e lhe escrevi.

Segue um tasquinho do bilhete: “Oi, Mirianês! Do seu CD, além de tudo, (…) ao ouvi-lo, percebi que sua voz, ainda que nela se perceba uma delicadeza irrestrita, expressa paixões desenfreadas. Ao escolher Gonzaguinha para dele relembrar alguns clássicos, você, valendo-se de uma força até então apenas tangenciada, (en)cantou-os com voz doce, quase frágil (…) Saltou-me aos olhos a mais total ausência de afetação tola. (…) Para você, cantar é fácil, posto que seu canto tem em si suas próprias verdades, expondo-as sem barreiras nem falsidades”.

Mas vamos ao CD: são dez músicas só de Gonzaguinha, além de uma parceria dele com Ivan Lins e uma parceria de Mirianês com Oswaldo Bosbah. Cada faixa é um gesto ao que já se foi, e Mirianês, sacando que assim é, deu-se ao pranto da saudade. Mirianês Zabot ama Gonzaguinha, lembram?

Ela está bem acompanhada: Pratinha Saraiva (flauta e bandolim), Wellington Moreira (percussão), Oswaldo Bosbah (violão), Marinho Boffa (piano), Itamar Collaço (contrabaixo), Percio Sapia (batera) e Mário Manga (violoncelo e guitarra). Os arranjos são de Oswaldo Bosbah, com exceção de um que fez com o pianista Marinho Boffa.

A participação especial de Claudete Soares com Mirianês em “De Volta ao Começo” é linda. Sobre belo arranjo, elas arrasam cantando a letra autobiográfica de Gonzaguinha, corajosa e honestamente ali exposta. Bem, se não é autobiográfica, bem que poderia ser.

A sensação de que nada nem ninguém morreu e que Gonzaguinha continua entre nós está explícita no cantar de Mirianês em “Sangrando”.

Em “Comportamento Geral”, a troça de Gonzaguinha é apreciada por Mirianês. A letra irônica revela uma alegria de Gonzaguinha meio, digamos assim, aporrinhada. Assim era ele.

“Caminhos do Coração” é uma predição de Gonzaga Jr: “(…) Há muito tempo que eu saí de casa/ Há muito tempo que eu caí na estrada/ Há muito tempo que eu estou na vida/ Foi assim que eu quis/ E assim eu sou feliz (…)”. Mirianês canta “sentindo” a presença do Moleque, que ao longe parece lhe acenar, e foi buscá-lo no tempo: Mirianês Zabot ama Gonzaguinha…

E a vida segue, pois seguir é com ela mesma, a vida.

Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4

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