Pais e filhos

umbrelone Pais e filhosSerá que dizemos a palavra não o suficiente aos nossos filhos?
Será que explicamos às nossas crianças o exato significado deste advérbio tão essencial às nossas vidas?
Porque o não – saibam os senhores e senhoras – é tão importante quanto o sim.
Ele não é apenas o seu oposto.
Sem o não, o sim não faria sentido.
Sem o não, o sim seria uma espécie de – vá lá! – amígdala, e conseguiríamos muito bem viver sem ele.
Sem o sim o não seria um elefante branco.
Eles se complementam.
Muito mais que Batman e Robin, o sim e o não são Quixote e Sancho Pança.
Portanto, tenham a certeza: não existe um único sim dentro de um não.
Quem pensa assim é aquele que trucida, que dita, que se impõe contra a vontade do outro, aquele que se faz prevalecer pela força.
O não é uma daquelas palavras de significado único.
Não corra.
Não mate.
Não morra.
Não pise na grama.
Não pise na bola (ou no seu semelhante).
E os exemplos não deveriam parar por aqui.
Não importo que me vejam como um homem antiquado, careta, um pai à moda antiga.
Muito mais do que retomar as rédeas da criação de meus filhos, entendo que é preciso estabelecer limites.
Afinal, o limite é o que nos dá segurança.
Ele é aquela área fronteiriça que indica o fim da terra firme e anuncia o abismo que pode ser o fim.
Eu, que tentei o máximo que pude ser um rebelde sem causa, afirmo – sem sombra de dúvida – que adoraria ser um pai como aquele que foi o meu.
Bastava a sua presença para eu me sentir protegido.
Um conselho seu me fortificava e esclarecia.
Seu bom exemplo foi uma influência benigna no homem que eu me tornaria.
E é por isto que acho que precisamos voltar a falar de valores que estavam esquecidos no fundo das gavetas da modernidade.
Precisamos ressuscitar verbos que caíram no desuso.
Precisamos ensinar nossos filhos a respeitarem os mais velhos.
Temos o dever de apresentá-los aos livros, dosando em suas vidas a presença dos videogames, da internet e das redes sociais.
Estamos permitindo que figuras do esporte, estrelas da música e da televisão se tornem as influências maiores na vida deles.
Passivos, nós os entupimos de videogames para que eles nos deixem em paz para as nossas coisas do cotidiano.
Fazemos isto para que possamos ler um livro, ver um filme ou assistir uma partida de futebol na TV.
Nós somos capazes de deixá-los sós pelos cantos da casa, apenas para que não tenhamos que nos ocupar com eles.
Damos dinheiro para que comprem o que bem quiserem, sem mostrar a eles o real valor das coisas.
Confundimos presentes com presença.
O que me faz perguntar:
– Será que estragamos os nossos filhos com facilidades e facilitações?
– Será que os mimamos em excesso e os educamos de menos?
– Será que os confundimos e nos confundimos junto?
– Será que os iludimos e nos iludimos junto?
– Será que projetamos neles expectativas tão grandes, tão maiores do que as que fomos capazes de criar e cumprir ao longo de nossas trajetórias?
São muitas as perguntas. E tão poucas respostas.
Dentro de minha consciência desaba uma tempestade de dúvidas, mas cada guarda-chuva que eu abro traz no cabo um novo ponto de interrogação.

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