Da minha bola de cristal

Sempre defendi a disputa de um campeonato brasileiro por pontos corridos. Aquela fórmula de turno e returno, nem sempre premiou o melhor. Felizmente, mudaram o regulamento e assistimos agora a um dos melhores certames já realizados no nosso país.

E o Palmeiras, que parecia ter as favas contadas, viu sua vantagem para o segundo colocado reduzida a um ponto e algumas equipes parecem ter ganhado fôlego para a reta final.

Apesar de contar com Muricy Ramalho no comando da equipe, achei que a adição de um excelente jogador acabou por estragar algo que parecia funcionar muito bem. Não que Vagner Love seja o responsável pela derrocada palmeirense, mas vejo na sua inserção ao plantel como um dos fatores que fizeram mudar a forma de jogar do time e sua conseqüente queda de rendimento.

Outro ponto negativo foi a convocação de Diego Souza para a seleção brasileira. Apontado como o principal craque do time, parece ter esquecido o bom futebol pré-convocação em Teresópolis, na Granja Comari.

O Atlético Mineiro é, a meu ver, a maior surpresa do campeonato.

Celso Roth é um treinador mediano, e o plantel não é exatamente o do Barcelona. Diego Tardelli, apesar de talentoso, nunca foi unanimidade em nenhum clube por onde passou. Mas no Galo ele se enquadrou e se tornou no grande ídolo que a massa alvinegra não tinha há muito tempo. E o meia Ricardinho, que parecia aos olhos de muitos, uma bananeira que já tinha dado o seu cacho, encaixou ali como uma luva, dando um toque de classe e experiência ao meio de campo. Fiquem de olho no Galo. Apesar das limitações de plantel, possui uma torcida maravilhosa, que empurra o time para a vitória mesmo nos momentos mais adversos.

O Internacional, que apontei como grande favorito no início da temporada, padeceu do mesmo mal que outros grandes. Desfez-se de jogadores importantes (notadamente Nilmar e Alex) e passou um tempo no purgatório. Com a dispensa de Tite e a contratação de Mário Sérgio para o comando, parece ter reencontrado o caminho da vitória. E o argentino D’Alessandro, a meu ver um dos melhores jogadores em atividade no Brasil, parece ter reencontrado o seu melhor futebol. O Inter está forte novamente.

O São Paulo chega redundante, apesar de não reeditar sob o comando de Ricardo Gomes o bom futebol dos tempos de Muricy. Ao lado do Inter, vai brigar pelo título. E cresce num momento crucial da competição.

Cruzeiro e Flamengo, apesar de terem as melhores campanhas do segundo turno e de ainda terem alguma esperança, são candidatos, mesmo (!) a uma vaga à Libertadores. São dois ossos duros de roer e os celestinos, mesmo tendo teoricamente um calendário de menor grau de dificuldade, poderão se dar por felizes, caso consigam uma vaga no G-4.

O Grêmio – dormiu de chuteira, oscilando muito no decorrer da competição – e o Corinthians não aspiram a muita coisa. O último parece ter se contentado com as conquistas do campeonato paulista e da Copa do Brasil. O tricolor gaúcho, apesar das chances matemáticas, sabe o que lhe reserva: uma vaguinha na Sul-americana.

Tão emocionante como a briga pelos primeiros lugares está a luta pela sobrevivência, entre os que se agarram com unhas e dentes às possibilidades de se manterem no grupo de elite em 2010.

Os meus candidatos à degola são, pela ordem, Fluminense, Santo André, Sport e Náutico. Mas posso estar enganado.

Minha bola de cristal se quebrou na final da última Libertadores, ocasião em que meu Cruzeiro sucumbiu inacreditavelmente para o Estudiantes de La Plata em pleno Mineirão.

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