Triste vendedor de tapioca, triste vendedora de açaí

roberto ambulante 1024x445 Triste vendedor de tapioca, triste vendedora de açaíOs telefones celulares de hoje acabaram por se tornar um aliado importante da informação e possuem atribuições outras que não apenas a de instrumento entre duas pessoas que querem se falar.

Estão cada vez mais modernos e incrementados e fotografam, filmam, gravam voz, servem para envio de mensagens eletrônicas e acessam a internet. Em muitos casos servem para coletar evidências que são utilizadas em tribunais, afinal, uma imagem fala mais de mil palavras.

Hoje eu vi uma imagem destas, um pequeno filme, realizado por um transeunte que testemunhou as ações de fiscais da prefeitura do Rio de Janeiro enquadrando e apreendendo dois ambulantes, que ficaram completamente sem chão diante da vigorosa ação do poder público.

O homem da tapioca pouco falou, mas a mulher do açaí chorava copiosamente e pedia compreensão, clemência.

Dois policiais, constrangidos, davam garantias aos agentes municipais que não se comoviam com os argumentos da pobre mulher, que tentava ali o sustento para si e sua família. Alguns banhistas interferiam em favor dos dois trabalhadores, tudo em vão.

Dá pena o sofrimento dos ambulantes e, por mais que se compreenda que os fiscais estão cumprindo ordens, não há como não pensar na desproporção que é o cumprimento da lei no nosso país.

Obviamente que compreendemos, apoiamos leis que exijam que vendedores ambulantes possuam alvarás apropriados e trabalhem obedecendo a um código de higiene e sanitização. Mas não ficaríamos revoltados se ela, a lei, fosse igual também para pessoas de outro segmento da sociedade.

Num país em que um juiz é capaz de processar uma agente policial que o enquadra porque ele está dirigindo bêbado, com documentação vencida e ainda a processa por danos morais, o espanto maior só fica por conta do ganho de causa a este péssimo magistrado: cinco mil reais.

Vejam o caso daquele outro juiz de Alagoas que mandou prender os funcionários da companhia aérea, porque ele chegou atrasado e o avião já se encontrava em procedimento de decolagem. A mando dele, os policias do aeroporto prenderam os funcionários que cumpriam normalmente as suas funções.

Felizmente um celular filmou, à distância, o juiz sem toga ou martelo, arrogante, aos berros, ameaçando colocar o mundo na cadeia, abusando de sua posição.

Quem julga estes senhores? Quem os pune?

Uma corregedoria de amigos, altamente corporativa, permite que estes abusos continuem acontecendo, por mais que se diga que não, e que se existe justiça ao pé da letra. Se não fosse assim, estes dois profissionais estariam afastados de suas funções.

Mas é assim, desafortunadamente.

Como disse antes, não sentiríamos revolta ao ver um fiscal municipal autuando um ambulante trabalhando fora dos parâmetros estabelecidos, caso a lei fosse para todos.

Queremos que, o policial que dá garantia a este fiscal multando e apreendendo o carrinho de tapioca, seja o mesmo que prende o deputado corrupto e o empresário corruptor.

O mesmo que prende a mulher do açaí, detenha o juiz autoritário e sem mérito, que está abusando de seu poder.

Queremos polícia para prender os responsáveis pelo avião carregado de cocaína dos Perrella e juízes ilibados que os coloquem em seus devidos lugares.

Queremos polícia e Justiça para tirar de circulação aquela turma do colarinho branco que saqueia o país e rouba a nossa população.

Não devemos nos contentar em ver empresários como Eike Baptista no banco dos réus.

Caso sejam provados culpados, que paguem como qualquer cidadão pagaria pelo crime contra o sistema financeiro.

Não dá para manter a fé vendo a turma do mensalão se escondendo nas dobras da lei e cumprindo em casa as suas penas.

Ou dá?

Será que o Brasil só tem leis para ladrões de galinhas e desautorizados vendedores de tapioca e açaí?

 

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