Contradições de Itaobim

tadeu ponta de lapis 300x249 Contradições de ItaobimDesculpem o bairrismo, mas pra mim, a melhor cidade do mundo é Itaobim.
Cravada entre montanhas, no coração do Vale do Jequitinhonha a cidade é cortada pela BR 116, e banhada pelo grande rio. Do penúltimo para a último censo, enquanto a população do Vale diminuiu a de Itaobim quadruplicou. Cidade onde eu nasci, enterrei o umbigo e pretendo morar um dia, Itaobim é também a terra das contradições.
Lá, o mecânico e motorista de táxi chamado Lourão é negro. Mas em compensação, Nego Mariano, artesão e trombonista, é quase albino.
Baixinho, de uma família de pessoas altas, os Trindade tem 1,85m. de altura, mas seu Altino tem pouco mais de metro e meio.
Vovô é um jovem de 25 anos que carrega o apelido desde a infância; Dona Mocinha brincou carnaval em 1927: “seu” Jovem, tem mais de 70 janeiros e “seu” Menino de Almeida, morreu há pouco tempo com mais de 90 anos.
Superior, alcoólatra, morreu na sarjeta; Delegado, comerciante, nunca foi numa delegacia, nem preso. Prefeito, mecânico, nunca foi ou pretende ser candidato a nada.
Maria Donzela, teve seis filhos e “seu” Zé das Virgens casou duas vezes, todas duas com viúvas. Santinho que não é tão santo é filho de Zé da Preta. Dona Altair é casada com “seu” Valdete. Lia Lambari não ia ao rio nem pra lavar roupa; Presa de Barrão é banguela, e Bigodinho nunca teve o apelido na cara. Dona Linda e Dona Flor nunca foram boas andarilhas na estrada da formosura; Angelina não é bem um anjo e “seu” Modesto é quem conta mais vantagem na cidade.
Josino, que nunca bebeu, era patrono do A.A (Alcoólatras Anônimos) e fabricante de cachaça. Pedro Valente, caboclinho medroso como ele, só era irmão de Antônio Mala Veia, que nem mochila tinha.
Antônio Fazendeiro nunca teve nem um palmo de terra; Zeca Formoso é mais feio que assombração; Honestíno é danado para passar a perna nos outros e “seu” Pacifico já quebrou a cara duns quatro.
Assim é a cidade que eu gosto. Contradições e gozações. Todo Itaobinhense é gozador nato e começa cedo. Recentemente um amigo Itaobinhense me contava sorrindo que seu filho de cinco anos, menino levado, magro, branquinho de rosto avermelhado, logo nos primeiros dias de aula recebeu dos amigos o apelido de “LÁP DE COR”.

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