Bolsonaro polemiza com fala sobre deportação de brasileiros

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“Eu jamais pediria para ele (Trump), você acha? Vou pedir para ele descumprir a lei dele? Tenha a santa paciência”, disse Bolsonaro aos repórteres em Nova Dhéli
Foto9 Imigrantes deportados pelo ICE 2 Bolsonaro polemiza com fala sobre deportação de brasileiros
O voo fretado pelos EUA levou 50 brasileiros algemados e aterrissou no Aeroporto Internacional de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG)

No sábado (25), um grupo de 50 brasileiros algemados chegou ao Aeroporto Internacional de Confins-MG

Durante a visita de quatro dias à Nova Délhi, Índia, o Presidente Jair Bolsonaro se posicionou com relação ao voo fretado pelos EUA que levou brasileiros algemados e deportados do país. Ele afirmou aos repórteres que é preciso cumprir as leis estadunidenses, gerando polêmica.

“Qual país está dando certo? Brasil ou Estados Unidos?” Questionou. “Eu jamais pediria para ele (Trump), você acha? Vou pedir para ele descumprir a lei dele? Tenha a santa paciência. A lei americana diz isso. É só você não ir para os Estados Unidos de forma ilegal”.

Ainda no sábado (25), Bolsonaro disse que lamentava o que aconteceu, mas destacou a necessidade de obedecer às leis estrangeiras.

“Em qualquer país, as suas leis têm de ser respeitadas. Em qualquer país do mundo onde pessoas estão lá de forma clandestina, é direito daquele chefe de Estado, usando da lei, devolver esses nacionais”, destacou.

Vários ativistas e ONGs defensoras dos direitos dos imigrantes repudiaram os comentários feitos por Bolsonaro, entre eles, o Grupo Mulher Brasileira.

“O Grupo Mulher Brasileira denuncia esta política desumana, indigna e suja de subserviência do governo brasileiro em nome de relações políticas que aparentemente só privilegiam um lado, o norte-americano. Um governo que não respeita seu povo não merece o respeito popular”, publicou o jornal Brazilian Times.

“É uma vergonha e uma falta de dignidade que o governo brasileiro mais uma vez escolha priorizar a agenda de um governo que não tem o menor respeito pelo ser humano como o governo instalado na Casa Branca. De acordo com a agência Reuters, dois diplomatas brasileiros admitem ter ordens de não criarem problema com a deportação de brasileiros para não atrapalharem as relações com o governo norte-americano. As autoridades norte-americanas, por sua vez, defendem que a deportação em massa barateia os custos”, acrescentou o artigo no BT.

. Entenda o caso:

No sábado (25), um grupo formado por 50 brasileiros deportados dos EUA chegou ao Aeroporto Internacional de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG). O voo fretado saiu da cidade de El Passo (TX) com destino à capital mineira. Esses brasileiros haviam sido detidos na fronteira com o México, quando tentavam entrar clandestinamente nos EUA.

. Política “cai-cai”

Inúmeros brasileiros que tentam entrar clandestinamente nos EUA através da fronteira com o México o fazem em companhia de um menor de idade, pois a lei de imigração do país não permite a deportação sumária; caso os adultos estejam acompanhados das crianças. Nesses casos, são agendadas audiências nos tribunais de imigração que, devido ao acúmulo de casos, pode demorar vários anos para ocorrerem. Nesse tempo, os imigrantes permanecem nos EUA e trabalham, juntando assim dinheiro. Na época de estudante nos EUA, Eduardo Bolsonaro, filho do Presidente, preparou hamburgers numa lanchonete, provavelmente, sem permissão de trabalho.

Basicamente, para ser deportado um estrangeiro precisa portar o passaporte de seu país de nacionalidade. A pedido do governo dos EUA, o Brasil passou a emitir passaporte sem a autorização do cidadão, agilizando assim a deportação.  Atualmente, os brasileiros são o 6º maior grupo de estrangeiros na lista de deportação.

A deportação de brasileiros indocumentados nos EUA subiu de 1.413 no ano fiscal de 2017 (que começa em 1º de outubro) para 1.691 no ano fiscal de 2018, de acordo com dados do Departamento de Imigração norte-americano. Neste ano fiscal, até 10 de junho, os números já chegaram a 1.117.

. Comentários polêmicos:

Bolsonaro também já deu declarações dando a entender que não tem grande interesse na defesa dos imigrantes. Em março de 2019, em entrevista à TV Fox News, o presidente brasileiro defendeu a ideia do muro para separar os EUA do México, pretendida por Trump, e disse que “a maioria dos imigrantes não tem boas intenções”. Já seu filho Eduardo, senador da República, manifestou na mesma época, durante a visita de Bolsonaro aos EUA, que os brasileiros ilegais no país eram um “problema” e uma “vergonha”, curiosamente, endossando a política de Trump.

. Deportação de Brasileiros:

A administração de Donald Trump quer aumentar o número de voos particulares para deportar brasileiros que tentam entrar clandestinamente no país através da divisa com o México. O número de brasileiros detidos tentando cruzar irregularmente a fronteira bateu o recorde de 18 mil em 2019 e as autoridades americanas buscam soluções para acelerar os processos de deportação.

O uso de aviões particulares para deportar imigrantes indocumentados é uma prática antiga e o governo dos EUA arca com os custos. Entretanto, esse método era raramente usado com brasileiros. Conforme os auxiliares do Presidente Jair Bolsonaro, o número de brasileiros detidos na fronteira entre os EUA e México nos últimos anos não foi tão grande. Ainda havia, da parte do Brasil, resistência política de governos anteriores em autorizar tais voos. No final de 2019, a administração consultou formalmente as autoridades brasileiras pedindo a autorização para mais voos particulares.

Segundo informações, o Itamaraty havia respondido que avaliaria o pedido e que ainda deveria enviar uma resposta formal ao Departamento de Estado em Washington-DC.

Em 2019, o Brasil concordou com somente uma aeronave para retornar 70 brasileiros deportados dos EUA. O avião aterrissou no final de outubro no Aeroporto Internacional de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG).

Conforme a chancelaria brasileira, nos últimos anos, foi registrado outro voo particular em outubro de 2017.

 

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