Brasileira gradua-se na Academia de Polícia e vai trabalhar em Elizabeth

Foto16 Glauciene Lima Brasileira gradua se na Academia de Polícia e vai trabalhar em Elizabeth
Glauciene Lima cursou durante 21 semanas a Academia de Polícia do Condado de Union, passando em todas as provas (Foto: Arquivo pessoal)

Glauciene Lima atua há 2 meses no Departamento de Polícia de Elizabeth (NJ)

Há aproximadamente 2 meses, o Departamento de Polícia de Elizabeth (EPD) tem em seu contingente Glauciene Lima, de 36 anos, natural de Recife (PE), mas criada em João Pessoa (PB). Ela imigrou aos EUA há aproximadamente 16 anos e, no início, trabalhou na limpeza de casas, garçonete e atendente em bares, no bairro do Ironbound, em Newark (NJ). Determinada, ela sempre manteve foco nos estudos e frequentava aulas avulsas no Essex County College, na mesma cidade, pois o salário baixo não permitia que estudasse em horário integral. Após vários anos de esforço e dedicação ela graduou-se (Associated Degree) como “Paralegal”.

Após sete anos vivendo nos EUA, Glauciene obteve a residência legal permanente (green card) e ingressou na Rutgers University, onde graduou-se em Ciências Políticas. Durante entrevista à equipe de reportagem do BV, na sexta-feira (9), ela relatou que o fato de o pai dela ter sido militar no Brasil e o orgulho que ele tinha em servir o país deixou uma impressão profunda nela. Certa vez, quando trabalhava como garçonete num bar no Ironbound ela viu três norte-americanos entrarem no estabelecimento. Glauciene percebeu que uma das mulheres sentou-se de frente para a porta e portava uma pistola.

“Na hora, percebi que eu queria ser como ela, uma policial”, disse Lima. “Hoje em dia, eu entendo porque ela sentou-se de frente para a porta”.

Na tentativa de tornar-se policial, Glauciene fez vários testes, inclusive para patrulheira (trooper), entretanto não passou na 3ª fase. Um dia, ela tomou conhecimento que a Prefeitura de Elizabeth (NJ) havia aberto inscrições para o seu Departamento de Polícia. Ela fez a prova, passou e tinha até 3 anos para ser convocada. Além disso, ela foi reservista do Exército e da Guarda Nacional.

Enquanto aguardava, ela trabalhou como assistente num consultório dentário em Livingston (NJ), até que no final de 2018 foi chamada e em 3 de janeiro ingressou na Academia de Polícia do Condado de Union, em Scotch Plains. O curso durou 21 semanas e ela passou em todas as provas, inclusive sendo indicada para ser líder do esquadrão. Infelizmente, Glauciene não pôde assumir o posto devido ao falecimento do pai dela no Brasil, pois ela pediu licença aos seus superiores e viajou para o velório e sepultamento.

Lima detalhou que ingressaram 112 recrutas na Academia de Polícia e 95 se graduaram. Atualmente, ela patrulha das 8:00 pm às 7:00 am uma determinada área na cidade de Elizabeth. Ela relatou que é tratada com igualdade e respeito pelos colegas de trabalho e que o fato de ser mulher tem, às vezes, suas vantagens. Outro fator que a ajuda na função de policial é o fato de Glauciene falar português e espanhol, especialmente nas comunidades latinas, pois muitos outros agentes somente falam o inglês e somente policiais do sexo feminino podem revistar mulheres.

“Eu vivo atualmente o que um dia foi um sonho. Escolha o aquilo você realmente gosta de fazer e nunca terá que trabalhar na vida”, disse ela. “Para conquistar seus sonhos é necessário dedicação, persistência e fé em Deus, independente de religião. O meu pai foi um grande exemplo para mim”.

Glauciene encorajou outros imigrantes a lutarem por seus sonhos. “Quando eu comecei a estudar, era indocumentada e credito a minha conquista à fé, perseverança, universidade e dedicação no trabalho”, concluiu.

 

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