Eleitores decidirão o futuro de Newark em maio

baraka Eleitores decidirão o futuro de Newark em maio
O Prefeito Ras Baraka (esq.) disputa a reeleição com somente uma oponente: Gayle Chaneyfield Jenkins (dir.), vereadora da região central

A eleição de 8 de maio decidirá quem representará o Ironbound junto à Prefeitura de Newark nos próximos 4 anos

Com menos de 2 meses para as eleições municipais em Newark, a maior cidade de New Jersey, entre os candidatos esse ano há rostos familiares e dispostos a entrar  na disputa e desfazer velhas alianças políticas. Pelo menos 5 candidatos já ocuparam cargos públicos no município e 2 funcionários municipais estão disputando contra seus ex-chefes. Já outros, que uma vez já receberam o apoio do Prefeito Ras Baraka, estão concorrendo pelo partido adversário.

Há 39 candidatos certificados oficialmente registrados para as eleições de 8 de maio, a qual todos os postos no Conselho Municipal e o cargo de prefeito estarão disponíveis. Newark está em controle de suas escolas depois de 22 anos que o Estado assumiu o comando. Novas marcas como a Whole Food se estabeleceram na cidade, além do reaquecimento do mercado imobiliário. Enquanto residentes debatem a necessidade de moradias de baixo custo, segurança pública e mais vagas de empregos especializadas, um grupo repleto de políticos luta para liderar essas mudanças. Em New Jersey, o prazo para os cidadãos americanos, natos e naturalizados, com idade mínima de 18 anos, se registrarem para as eleições são 21 dias antes do dia das votações, ou seja, em 2018 é 17 de abril.

Esse ano, o Prefeito Ras Baraka disputa a reeleição com somente uma oponente: Gayle Chaneyfield Jenkins, vereadora da região central da cidade. Ele luta para se manter no cargo durante o período atual de “renascença” e a possibilidade de a cidade abrigar a segunda sede da empresa Amazon.

Jenkins segue o lema: “Liderança através da integridade”, cuja chapa, a maioria mulheres, inclui 4 candidatos que já ocuparam cargos públicos e uma membro do Comitê Escolar de Newark. Anteriormente, ela serviu como vereadora-geral entre 1995 e 2006 e concorreu na chapa de Baraka quando foi eleita a representante da região central.

Ano passado, Jenkins tem sido o voto “não” solitário na maioria das iniciativas apoiadas por Baraka como, por exemplo, o projeto de pôr em prática a obrigatoriedade de separar 20% das unidades para famílias de baixa renda nos novos empreendimentos imobiliários e a transição dos funcionários da Prefeitura para o plano estadual de seguro de saúde.

. Eleitores brasileiros:

Com o passar dos anos, a comunidade brasileira vivencia atualmente um fenômeno experimentado por correntes migratórias mais antigas. “Existem muitos brasileiros que adquiriram a residência permanente (green card) depois que os filhos, nascidos nos EUA completam 21 anos de idade e, então, patrocinam os pais. Entretanto, muitos deles não se naturalizaram americanos por causa da barreira do idioma, acomodação ou porque não têm tempo suficiente de residência permanente, que são cinco anos”, relatou Leonardo Ferreira, instrutor do curso preparatório para a cidadania americana na ONG Mantena Global Care, em Newark.

“Esse cenário mudou sensivelmente depois da vitória e posse do Presidente Donald Trump, pois muitos residentes legais permanentes ficaram com receio de que ele mude as leis vigentes, então, houve um aumento no interesse em se tornar cidadão americano”, acrescentou. “Infelizmente, a comunidade brasileira em Newark possui poder econômico, muita gente tem Green Card, mas não tem poder político, justamente devido a essa falta de engajamento das pessoas. Mesmo que você se naturalize americano, mas não se registre como eleitor; permanecerá politicamente ‘invisível”.

A declaração serve de alerta para aqueles que possuem o cartão verde, mas ainda não tomaram a iniciativa de se tornarem cidadãos norte-americanos para poder participar mais ativamente no processo democrático do país. Segundo o empresário mineiro José Moreira, é fundamental que um número maior de brasileiro se torne cidadão, para que a comunidade não continue “invisível” aos olhos dos políticos. “Precisamos nos conscientizar da necessidade de uma comunidade forte. Quanto maior o número de votantes, mais teremos o respeito das autoridades”, disse. Moreira sugere que se realize uma grande campanha de naturalização e registro de eleitores em Newark visando as próximas eleições. “Temos muita gente legal no país, mas eles precisam se tornar cidadãos para termos maior poder de negociação com a prefeitura de Newark. O poder de voto comandará mais respeito”, ressaltou.

. A importância do voto:

No bairro do Ironbound, onde se concentra a população de língua portuguesa em Newark, o Vereador Augusto Amador, que concorre na equipe de Baraka, eleito a primeira vez em 1998, enfrentará vários oponentes, entre eles: Membro do Comitê Escolar Crystal Fonseca, que recebeu o apoio de Baraka em 2015. Ela não disputará a reeleição no Comitê e, ao invés disso, concorre na mesma chapa de Jenkins. Além disso, Crystal é filha de Pablo Fonseca, gerente de campanha de Jenkins. Também estão na disputa pelo posto de vereador no Ironbound Tanisha Garner, Jonathan Seabra e Anthony Campos, ex-chefe de polícia que se aposentou após 30 anos de carreira. Ele atuou como chefe em 2006 e ou indicado novamente ao cargo em 2014 por Baraka. A eleição de 8 de maio decidirá quem representará o Ironbound junto à Prefeitura de Newark nos próximos 4 anos.

. Como se registrar:

Para se registrar como eleitor em New Jersey, o indivíduo deve ser: 1) Cidadão norte-americano (nato ou naturalizado), ter pelo menos 18 anos, morador no condado pelo menos 30 dias antes das eleições e não estar cumprindo pena, liberdade condicional ou redução da pena em decorrência de crimes cometidos. O formulário de registros e mais informações podem ser obtidos através do website do Departamento de Estado: http://www.state.nj.us/state/elections/voting-information.html

 

Related posts

Comentários

Send this to a friend